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OPINIÃO: Japão vs. Resto do Mundo

A indústria está cada vez mais virada para Ocidente, mas parece que no Japão ninguém quer assumir um dos factos que vai ficar na história desta geração de videojogos – a quebra de qualidade nos jogos nipónicos.

Sexta, 10 Agosto 2012 17:51

Por: Bruno Mendonça

Para quem "viveu" o boom da indústria durante a década de 90, o Japão foi sempre considerado como a grande "meca" dos videojogos. Era ali que estavam concentradas as principais companhias e os produtores mais talentosos do mundo. Salvo algumas exceções, os melhores jogos vinham diretamente da "Terra do Sol Nascente", numa aposta clara em conceitos inovadores que durante muitos anos embalaram a indústria rumo ao crescimento.

Infelizmente na última década, e muito especialmente na atual geração de consolas, o Japão entrou num declínio evidente. Não é por acaso que as principais companhias estão a contratar equipas ocidentais para conseguirem apresentar novas ideias. A grande maioria dos jogos japoneses falha pela falta de conceitos inovadores, e quando tentam “copiar” o que se faz no Ocidente o resultado é quase sempre um desastre.

A propósito da parceria estabelecida entre a Capcom e a Ninja Theory em DmC Devil May, Hideaki Itsuno (diretor do jogo) revelou que no Ocidente a principal preocupação dos produtores é a vertente gráfica, pelo menos numa fase inicial dos projetos, e só depois é que é dada atenção à jogabilidade. Para o produtor nipónico, no Japão o processo é bem distinto, com as equipas a preocuparem-se primeiramente com a jogabilidade e sistemas de jogo. Só mais tarde, de forma gradual, é que existe o trabalho relativo ao grafismo.

Não quero discutir ao detalhe as diferentes filosofias de trabalho, as várias implicações associadas, a importância da questão cultural, ou qual dos processos será realmente o mais adequado, no entanto parece-me bastante evidente que os japoneses estão claramente a ficar atrasados em relação ao que é apresentado atualmente pelas grandes produtoras europeias e norte-americanas.

Com exceção para os fãs incondicionais do mercado nipónico, e de alguns jornalistas incapazes de analisar esta questão de forma independente (que tentam marcar uma posição de superioridade intelectual elogiando qualquer jogo japonês), ninguém pode estar satisfeito com esta situação. A indústria precisa de um Japão forte, e não é por acaso que a PlatinumGames lamentou o facto de haver cada vez menos originalidade nos jogos com raízes orientais, eles que são claramente uma exceção deste marasmo japonês.

Não me interpretem mal, existem jogos muito bons com origem japonesa (basta analisar o catálogo da Nintendo, da Atlus ou da FromSoftware), no entanto é preciso que as produtoras nipónicas olhem para o outro lado do mundo. Os japoneses têm que entender que neste mundo globalizado, e cada vez mais competitivo, é obrigatório viver numa adaptação constante aos novos desafios. A indústria mudou e, pelo menos nesta geração, os jogos japoneses foram uma sombra da qualidade do passado.

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20 Comentário(s)  Registe-se ou faça Login para comentar

Denunciar +1 #24 Bruno Mendonça 2012-08-23 12:48
@ lrdalucard - o que foi referido é que são muito poucos... e existem dados estatísticos que o comprovam. O mercado de jogos para PC no Japão é fraco, comparativament e ao que acontece no Ocidente, foi isso que foi referido por mim, ou pelo menos foi essa ideia que tentei passar...
Denunciar +2 #23 lobito180 2012-08-22 23:30
Citando lrdalucard:
Citando lobito180:
(...)que se joguem offline e não seja hentai games ou visual novels...


Battle Moon Wars por exemplo.

Tens de admitir que são poucos! xD
Não digo que não existam, mas são uma minoria...
Denunciar +1 #22 lrdalucard 2012-08-22 19:30
Citando lobito180:
(...)que se joguem offline e não seja hentai games ou visual novels...


Battle Moon Wars por exemplo.
Denunciar +2 #21 lobito180 2012-08-22 18:00
É tudo muito bonito, mas por acaso tenho conhecimento sobre uns quantos jogos japoneses...
Guilty Gears? Foi feito para as arcades, não fizeram mais que um port...
E os outros se repares são todos (ou quase todos MMO's). Diz que jogo existem para PC (feitos de raiz para o PC) que se joguem offline e não seja hentai games ou visual novels...
Denunciar +1 #20 lrdalucard 2012-08-22 13:49
Citando Bruno Mendonça:
Citando lobito180:
É verdade que eles não sabem fazer jogos para PC. Só datesim's e jogos de carácter erótico...


sim, no Japão quase não existem jogos para PC... a não ser "Erótico +18"


Então tas a dizer que nunca ouviste falar de Melty Blood, Variant Online, Monster Hunter Frontier Online, Arad no Senshi, Dinasty Warriors Online, Parasite Eve Online(Não confirmei se ja saiu este jogo), Guilty Gear XXReload/Isuka, Battle Moon Wars, entre muitos outros? Acho que devias começar a expandir os teus horizontes e procurar informação em sites como Siliconera. (Parto do inicio que tens minimamente um inglês razoável.
Denunciar +1 #19 lrdalucard 2012-08-22 13:25
Jogos japoneses são areia de mais para o camião dos portugueses que so kerem jogar Football e Counter-strike~
Denunciar +2 #18 lekos 2012-08-20 15:58
Sendo um rapaz que esteve no Japão durante um largo período de tempo posso confirmar sem dúvida que o Japão produz quase tudo para o consumo interno. Mas atenção, ao contrário do que foi dito aqui, existem muitos e muitos jogos que não são de carácter erótico. É só saber procurar e ir aos melhores sítios. E vi lá jogos interessantes que eram capazes de vender bem por cá, mas lá está, como foi dito, a barreira linguística é um problema.
Denunciar +1 #17 Bruno Mendonça 2012-08-14 11:51
Citando lobito180:
É verdade que eles não sabem fazer jogos para PC. Só datesim's e jogos de carácter erótico...


sim, no Japão quase não existem jogos para PC... a não ser "Erótico +18"
Denunciar +1 #16 lobito180 2012-08-13 13:02
É verdade que eles não sabem fazer jogos para PC. Só datesim's e jogos de carácter erótico...
Denunciar +2 #15 Tiagozak 2012-08-13 12:43
Eu acho que os jogos niponicos sempre se basearam em certos conceitos. E o que os ocidentais fizeram foi quebrar esses conceitos e criar jogos verdadeiramente originais, com uma grande ajuda das produtoras indie. Os niponicos ]ontinuaram com o medo de inovar (tirando, talvez, a exepçao da nitendo) e viram o seus jogos ficarem de certa forma obsoletos, conduzindo ao seu declinio.
Denunciar +4 #14 Rui Parreira 2012-08-13 10:03
Como foi referido, os japoneses têm uma tendência para produzir jogos para o "consumo interno" e por vezes, só com fortes campanhas e petições dos fãs se conseguem trazer certos títulos para o Ocidente. A barreira linguística é um dos principais fatores de dificuldade e custos nos gastos de localização. No entanto, como esta geração de consolas demonstrou, as vendas no Japão por si não chegam e há que globalizar as produções. Mais, há que alargar os jogos a plataformas como o PC, dos quais os nipónicos não estão à vontade, ou melhor, não sabem de todo fazer jogos. Veja-se a adaptação de Demon Souls ao PC, uma conversão direta sem corrigir bugs, optimização, etc., por falta de skills da From.

Uma solução passa, claro, por encomendar produções a produtores ocidentais, uma forma de ocidentalizar as grandes séries. Foi dado o exemplo do DmC à Ninja Theory, mas há muitas outras: A Namco pediu à Bugbear um Ridge Racer; A Konami pediu à espanhola MercurySteam um Castlevania e aos checos da Vatra Games o último Silent Hill; A série Dead Rising é produzida no Canadá; O PES vai passar a ser feito em Londres; e por aí adiante.

Isto não siginifica jogos de menos qualidade. Significa custos menos elevados na produção e uma visão mais segura ocidental. Além disso, a principal imagem de marca de jogos made in japão são os seus JRPG, que continuam a ser editados em bom ritmo, uns a sucumbirem a mecânicas mais ocidentais, outros a manterem a sua essência nipónica. Não digo que não haja fãs para estes títulos, mas diga-se que o género está estagnado. E eles próprios têm consciência disso.

Não se pode também criticar o Japão, como há alguns anos, por ser um mercado demasiado fechado e virado para dentro. os últimos anos há cada vez mais uma preocupação na globalização. Veja-se a expansão da Square Enix quando comprou a Eidos, metendo mãos em séries como Tomb Raider, Deus Ex e Hitman, para dar alguns exemplos.
Denunciar +4 #13 swift 2012-08-12 01:34
É bom ver a quantidade de pessoas que estão a participar nesta "exposição" de opiniões.
Talvez não tenha uma experiência tão enriquecedora em jogos japoneses como alguns de vós que estão aqui a marcar presença, mas o que joguei, influenciou-me e deixou memórias muitas positivas. Os nipónicos foram mestres em títulos algo "extravagantes", alguns com um argumento bem esgalhado e com um uso "abusivo" mas de modo algum intrusivo de cutscenes. Recordo-me de MGS e MGS 2, jogos que tinham quase tanto de acção como de diálogos, mas não saturavam, longe disso, ou Deep Fear um "clone" de RE com imensa qualidade mas passado numa plataforma subaquática, em que só descansei quando o conclui.
Mais recentemente em Binary Domain, uma jogabilidade fortemente inspirada em GoW, um generoso suporte de cutscenes e um argumento com algumas reviravoltas demonstrou que os japoneses ainda podem ameaçar o ocidente na indústria do entretenimento... desde que se "apliquem".



Cumps a todos
Denunciar +3 #12 lobito180 2012-08-11 21:29
Pode ser que me engane, mas acho que daqui a uns anos vamos presenciar outro crash na indústria.
Eu falo por mim: hoje em dia quando entro numa loja de jogos, apenas 15-20% me interessam realmente. Agora raro é o jogo que eu vejo e quero o mais depressa possível...
Denunciar +3 #11 Themap 2012-08-11 20:29
Eu sinceramente não penso que o problema esteja na superior qualidade da industria ocidental, porque a mesma está a começar a deparar-se com o maior problema que já existiu desde a sua génese,a má sobreutilização dos franchises( algo que muitas pessoas já repararam )

Hoje em dia ( e penso num FPS muito específico que não precisa de apresentações ) o pensamento de um game dev está virado para o dinheiro rápido, e por essa razão aproveitam a maior parte do código de jogo ( a parte mais demorada ) e aplicam apenas "melhorias" irrelevantes nas suas séries de sucesso, refazem apenas os ambientes e os mapas dos seus jogos ( o que fazem bem do ponto estético , invariavelmente , mas falham miseravelmente na distinção de experiencias entre um jogo e o anterior )e mudam a história, mas pouco

Sim, muita qualidade saiu dos estúdios Ocidentais, que tem estado numa posição de vanguarda nos últimos anos, mas acreditem que muito em breve nos vamos deparar com uma crise de qualidade bem nossa...
Denunciar +3 #10 sagitario 2012-08-11 19:17
Eu acho que pelos lados do "sol nascente" adormeceram...não no sentido real da palavra mas limitam-se a fazer lançamentos de mecanicas cada vez mais cansativas e limitando-se a acompanhar o dezenvolvimento gráfico(em alguns cazos nem isso).
Abraço para todos.
Denunciar +3 #9 Fred 2012-08-11 17:29
Eu cá acho que um dos principais factores foi a evolução dos guiões juntamente com o hardware e os motores de jogo desta geração. Os meios tecnológicos permitiram às produtoras adaptar argumentos hollywoodescos aos seus jogos de formas que até aí eram mais dificeis de fazer. Os gráficos, as cutscenes, a liberdade de movimentos e o realismo ajudaram a que isso fosse possivel.

Passámos de histórias de heróis extravangantes que vão percorrer uma série de níveis com uma (jogabilidade deliciosa), que vão apanhando moedas, aneis, maçãs,... matam bichos feios pelo caminho e no fim defrontam bosses, para cenários de guerra ultra realistas que nos colocam na pele de personagens que tomam decisões e vivem as consequências das suas decisões.

Os japoneses, na minha opinião, apenas têm que se reinventar e continuar a fazer o que melhor sabem fazer e que é, e ainda bem, diferente do que fazem os ocidentais.
Denunciar +4 #8 swift 2012-08-11 03:34
Bastante interessante este tópico do Bruno Mendonça.
Já agora deixo uma questão no ar... terão os japoneses negligenciado a qualidade das suas produções, ou terão os ocidentais aumentado exponencialment e a qualidade dos seus jogos e por conseguinte destronaram os nipónicos?
É verdade que os títulos oriundos do pais do sol nascente não ostentam o mesmo "misticismo" que usufruiam há uma década atrás, recordo-me duma série (Resident Evil) com bastante seguidores, em que nos últimos anos veio a afastar-se gradualmente das suas origens de survival horror e puzzles para se focar quase em exclusivo num shooter na 3º pessoa. Não vou mentir e dizer que RE5 me desagradou, mas aquele ambiente de suspense, a banda sonora sinistra, desapareceram. Muitas outra séries japonesas poderão ser comentadas, mencionei esta por ser a que acompanho há mais tempo.
Mas não desesperemos, quase de certeza de que as produções japonesas haverão de regressar em alta, é uma questão de tempo...

Cumps
Denunciar +2 #7 ig9981 2012-08-11 01:33
Ora, está uma boa análise aos nossos "amigos" japoneses...

O mal é mesmo o que o Bruno já aqui disse... Eles produzem os jogos a pensar no seu próprio mercado, recusam ou tentam viver na ilusão que a globalização não chegou ao oriente, mas chegou mesmo, esse é que é o mal...

Depois, claro está, de vez em quando lá tentam "adaptar" algo ao ocidente... resultado? Borrada...

Deviam era contratar inteligencia ocidental e colocar essas pessoas a produzir algo inovador e que fosse mesmo orientado ao "nosso" mercado..

Basicamente... devem desistir de tentar transformar o "kimono" em calças e passar de facto a produzir estas...

Cumps
Denunciar +3 #6 tudor 2012-08-11 01:04
Tudo tem um fim e para a industria japonesa neste entretinimento é mudar e inovando para continuar neste mercado.
Denunciar +4 #5 Rasps 2012-08-11 00:09
Seria bom para todos nós se o mercado japonês recupera-se desta situação, eu diria o mesmo se fosse o inverso, pois qualidade é o que todos nós precisamos, venham os jogos do oriente ou do ocidente.

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