INQUÉRITO
OPINIÃO: Revolução na indústria - Poder aos jogadores!
Numa altura em que se espera uma nova mudança de geração de consolas, há novos movimentos que tornarão a indústria mais apetecível para os investidores. Os jogadores deixarão de ser meros consumidores, para terem uma palavra a dizer!
Sexta, 13 Julho 2012 17:08Por: Rui Parreira

“Os jogadores, unidos, jamais serão vencidos”. Eis uma adaptação de uma máxima popular que cada vez faz mais sentido nos últimos tempos na indústria. São frequentes novas propostas de projetos financiados pelas comunidades no Kickstarter ou outros serviços. Uma opção que se tornou muito válida após o sucesso de financiamento do próximo projeto de Tim Schafer da Double Fine. Project Cars, da Slighty Mad vai mais longe – os interessados em contribuir podem igualmente participar no desenvolvimento do jogo, o que eleva o conceito a um nível de comunidade sem precedentes. É como tornar os Mods numa indústria paralela.
A vantagem deste formato é que os projetos são produzidos com olhos postos nos jogadores, para os fãs que têm a certeza que os vão comprar (ou ter direito a eles), já que investiram, ao mesmo tempo que fogem da visão manipuladora das grandes editoras. E este pode ser um dos caminhos viáveis para o futuro da indústria (para além do Cloud, mas isso é outra história).
Esta forma de produção é sobretudo interessante para os produtores independentes, que conseguem novas alternativas de financiamento. Adicionando ao boom da distribuição digital, de onde aparecem cada vez mais serviços (Steam, GoG, Origin…), os jogos de assinatura podem novamente ganhar destaque no mercado.
Separar o trigo do joio
Até aqui nada de novo, mas surgiram dois novos elementos que complementam toda esta visão. A primeira é a iniciativa da Valve em dar aos seus registados a possibilidade de escolherem os jogos que querem ver no Steam. Trata-se do programa Steam Greenlight, um novo sistema de feedback para avaliar as novas propostas indie que chegam à empresa de Gabe Newell. As editoras ou produtores independentes podem fornecer uma série de materiais, de imagens, vídeos ou mesmo versões de demonstração, que podem ser avaliados diretamente pela comunidade, e não apenas pelos responsáveis da empresa, que dão a luz verde para os projetos. De facto, um nome para um serviço que tem tudo a ver. Para a Valve é igualmente genial, porque este feedback pode dar um importante avanço do potencial sucesso dos jogos. Podem fechar-se mais parcerias, e porque não, criar um maior investimento em torno dos respetivos projetos.

Mas se este tipo de movimento está associado aos jogos, foi com muita surpresa que esta semana surgiu no Kickstarter um pedido de investimento para uma nova consola. Trata-se do Ouya, uma plataforma baseada em Android, com um preço de mercado que ronda os 100 dólares. O objetivo de angariação eram uns “míseros” 950 mil dólares, alcançadas em poucas horas. No momento em que escrevo, já foram angariados quase 4,5 milhões de dólares, faltando ainda quase um mês para o término da ação (9 de agosto).
Mas mais importante que ter uma nova plataforma no mercado, é que esta consola contém um kit de desenvolvimento, significando que cada utilizador se torna num potencial produtor, sem necessidade de pagar licenças ou royalties a qualquer fabricante. Esta visão poderá mesmo mudar a forma como são desenvolvidos títulos AAA e pode bem instigar ao boom dos anos 80, onde muitos sucessos nasceram no quarto de mentes geniais. E para que não haja excessos, há uma regra de ouro imposta nestas produções: cada título terá de ter uma versão jogável gratuita, seja uma demo (com possibilidade de o atualizar para completo) ou um jogo free-to-play, baseado em microtransações. E são os produtores a estipular o preço dos seus jogos.
O design do protótipo apresentado revela um comando convencional, com linhas semelhantes ao da Xbox 360, que inclui também um painel tátil, destinado a eventuais conversões de jogos de smartphones ou tablets para jogar na televisão. E para dar credibilidade ao projeto, o seu criador, Julie Uhrman, mencionou que Minecraft e Twitch.TV estão assegurados nesta plataforma. E já houve manifestações de nomes sonantes da indústria a apoiar a iniciativa, tais como Jenova Chen (Journey), Jordan Mechner (pai de Prince of Persia), Brian Fargo (fundador da Interplay e inXile), a Mojang (Minecraft), entre outros.
Quando esperamos que a indústria dos videojogos dê o próximo salto geracional, com o arranque da Wii U da Nintendo, continuam a registar-se movimentos paralelos surpreendentes. O melhor é que o mercado continua a alargar, deixando de se concentrar em três ou quatro fabricantes. Ganham os jogadores, ganha esta indústria de entretenimento, tornando-se cada vez mais apelativa para os investidores. O futuro parece bem risonho. Curioso, no mínimo.














14 Comentário(s) Registe-se ou faça Login para comentar
O conceito em si é fantastico, mas na pratica pode desiludir as expectativas.As latências nestes equipamentos é deveras preocupante. Não deixa de ser uma consola atractiva, barata, e secalhar, por ser barato, não se vai conseguir exigir muito desta consola.
O futuro das consolas está LONGE de se conseguir afirmar, cada vez mais os jogadores estão dispersos entre aparelhos. E a realidade é que os jogos hoje em dia estão mais similares entre si. a Wii consegue se destacar pela diferente forma de interagir, mas é consumidor de nicho e apenas de ocasião, muito diferente de PS3 e XBOX, onde está a verdadeira guerra. Consola-PC está a ser uma aposta para a Steam.
A ver vamos!
Cumps
Por um lado, a ideia de os jogos serem mais acessiveis é boa, por outro lado não espero nenhum FIFA, Assassin's Creed ou GT5 feito por um ou dois "génios" no quarto de suas casas...
Acho que vai ser uma consola com uma tendência a ter muitos jogos, mas muitos deles serão de fugir, pois se alguns desses jogos servem para entreter numa fila qualquer ou numa espera imprevista (jogando no telemovel), já para jogar umas horas sentados no sofá com um led de 40 polegadas isso é impensável...
Em termos de performances... para custar 100eur duvido muito que vá ter as performances das futuras xbox e playstation... aliás, duvido muito que sequer tenha as performances das atuais... o grafismo poderá, na minha opinião, ser bastante inferior e nos dias de hoje o grafismo conta e muito na hora de escolher a consola e os jogos que se compram...
Sina RSS para comentários ao tópico.