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OPINIÃO: Estarão os jogos demasiado violentos?

Ainda no rescaldo da E3, Warren Spector demonstrou a sua indignação relativamente às tendências atuais da indústria referindo que “a violência extrema tem de acabar”. Será que os videojogos se estão a tornar demasiado violentos?

Sexta, 22 Junho 2012 18:19

Por: Bruno Mendonça

O tema da violência nos videojogos já fez correr muita tinta e quase sempre a indústria tem conseguido manter-se unida relativamente ao ataque de falsos moralistas e de senhores que de forma indireta se assumem como detentores da verdade absoluta. Mais recentemente as críticas começaram a surgir de figuras importantes da própria indústria. Shigeru Miyamoto, David Cage e mais recentemente Warren Spector, vieram a público alertar para o que dizem ser um excesso de violência nos videojogos. Numa entrevista recente, o criador de Deus Ex afirmou mesmo ter deixado a Eidos em 2004 devido à proliferação da violência. “Eu saí da Eidos em 2004, porque andei pela E3 e vi o novo Hitman, em que podíamos matar com o gancho de carne. Vi o 25 to Life, aquele jogo sobre miúdos que matavam polícias, o Crash & Burn, um jogo de corridas em que a ideia era criar as explosões mais escaldantes e espetaculares, e não vencer a corrida… Olhei para o meu stand e apercebi-me de que tinha acabado de ter um daqueles momentos de “o que é que não é igual a tudo o resto?”.

Esta não é uma discussão sobre os supostos efeitos nefastos dos videojogos violentos nos jovens e nas criancinhas. Os jogos estão marcados com um sistema de classificação etária que deve ser respeitado e a responsabilidade máxima pelo acesso a estes conteúdos é naturalmente dos pais e/ou encarregados de educação. Esta história é velha, não faz qualquer sentido, sendo possível refutar de forma clara todos os argumentos de quem defende a abolição de jogos violentos com a simples justificação de que transformam criancinhas inocentes em psicopatas e assassinos em série. Tal como no cinema, existe um sistema de classificação etária que por um lado protege os mais novos e ao mesmo tempo não limitam o processo criativo dos produtores e a liberdade do público mais adulto. Os videojogos há muito que deixaram de ser um passatempo de crianças, e esta questão parece em definitivo ultrapassada.

A questão que se levanta neste momento é bastante mais relevante que a anterior, merece um debate saudável e alargado entre todos os intervenientes, e decorre da ideia de que a indústria está completamente “vidrada” em produzir jogos de natureza violenta. O pensamento de Warren Spector sobre a edição deste ano da E3 explica muito bem a ideia de quem considera que o caminho atual da indústria não é o mais interessante, sendo que para ele pode mesmo ser um trilho perigoso no futuro.

“Este é o ano em que duas coisas se destacaram (na E3), para mim. Uma foi: a violência extrema tem de acabar. Nós temos de deixar de gostar disso. Eu não acredito, de todo, no argumento dos efeitos, mas acho que estamos a transformar a violência num fetiche, e agora, em alguns casos, até a combinamos com uma abordagem adolescente à sexualidade. Acho que é de mau gosto e acabará por nos causar problemas.”

Será mesmo assim? Será que a indústria deixou de pensar na criatividade e em narrativas fortes para dar lugar à violência gratuita apenas porque vende? Será que este caminho pode estar a travar a criação de projetos realmente inovadores? Na entrevista recente que deu ao site GamesIndustry, Warren Spector defende de forma convicta a ideia de que a indústria está a ficar “doente” com esta fixação pela violência. “Fomos longe demais. Os desportos sangrentos em câmara lenta, a empalação por assassinos mortais, facas, ombros, cotovelos enfiados em pescoços. Está na altura de parar. Fomos longe demais com a celebração hiper-real de sexo e violência. Diria que sou eu que estou a ficar velho, mas ando a ler muitas coisas online, e não sou só eu. Felizmente.”

Compreendo algumas da interrogações levantadas por Warren Spector e concordo que a indústria terá de ser bem mais do que a banalização dos jogos violentos. Se existem dias em que suspiro por algo inovador, existem outros em que apenas preciso de um jogo simples para matar o tempo de forma entretida. Se existem momentos em que desejo uma narrativa forte que consiga mexer comigo a nível emocional, existem outros em que apenas preciso de uma caçadeira de canos cerrados e alvos para abater, sem olhar a motivos ou questões morais na hora de apertar o gatilho do comando. E as noitadas com os amigos a jogar um bom party-game ou uma futebolada virtual misturadas com o sabor de uma cerveja fresquinha? Defendo que a indústria tem de continuar a oferecer experiências para todo o tipo de jogadores e para todos os momentos. Quanto maior for a diversidade, maior a qualidade e maior será a evolução, com benefícios claros para todos: jogadores, editoras e criadores.

Mais do que deixar aqui a minha opinião sobre o assunto, gostaria de abrir este debate a vocês, os jogadores.

Bons jogos e divirtam-se.

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20 Comentário(s)  Registe-se ou faça Login para comentar

Denunciar -1 #54 vouzelenses 2012-08-10 00:14
Citação:
os jogos não são violentos só têm a realidade e temos de encará-lá

é a vida rapazes
Denunciar #53 vouzelenses 2012-08-10 00:09
Eu acho alguns jogos violentos, mas desde que as pessoas saibam distinguir a vida real dos jogos, podem inventar o que quiserem porque eu estou cá para jogar.
Denunciar -1 #52 mikeangel 2012-07-31 23:23
pois a vida real e muito mais violenta
Denunciar -1 #51 mikeangel 2012-07-31 23:22
os JOGOS nunca serão muito violentos pois os jogos comparados com a vida real não são NADA!
Denunciar -1 #50 SirDanB 2012-07-17 19:15
Citando LERP:
NÃO, parece-me que os jogos ainda SÃO muito infantis:( DEVIAM ter mais REALISMO na MATANSA e não pola tão TABU!!!
Por exemplo quando ferimos alguém nos jogos nao ficam as marcas, elas desaparecem depois de um tempo como que POR MAGIA, e se ue quiser TROCIDAR o inimigo POR VIGANÇA? Não posso é ganda fail, se os jogos estão mt violentos para alguns MARICAS, a culpa NÃO É de quem quer jogar A SÉRIO!!!


Percebo porque pensas assim, ficarias bastante limitado se as classificações PEGI fossem levadas a serio?
Denunciar #49 Ren0u! 2012-07-17 17:34
Começo por disser que não li todos os comentários por isso não sei se alguém já referiu este ponto. Mas umas das coisas que ajuda este "problema" é a grande evolução a nível do grafismo nos últimos anos. Enquanto em 96 tivemos o Duke Nukem que disparava uns rocket's contra uns javalis dos quais eram desfeitos em quadrados(pixel s) do qual se juntava também um lençol vermelho(sangue ) em 2012 temos Max Payne do qual já se associa-se mais a realidade do que antigamente, como podemos verificar na imagem acima. E eu não creio que os jogos estão só a basear-se só na violência, mas sim na busca pela realidade e no realismo pode sim as vezes a violência ser abusiva mas isso já fica ao critério do gosto do jogador. A meu ver o que torna um jogo violento é procura da realidade por parte da produtora, por exemplo o jogo do Mário, se fosse mais real era demasiado violento para a faixa etária da qual é procurada para ser vendido. E para ser sincero o realismo de um jogo é que me leva a compra-lo.
Denunciar -1 #48 SirDanB 2012-07-15 16:35
Citando boomer:
se formos bem a ver maior parte dos jogos são violentos...


Denunciar -2 #47 boomer 2012-07-15 15:41
e se não ouver violencia nos jogos á nos filmes portanto...
Denunciar -2 #46 boomer 2012-07-15 15:40
se formos bem a ver maior parte dos jogos são violentos...
Denunciar -1 #45 CrispX 2012-07-11 17:17
O acho que está mais violento é a falta de atenção dos pais em tomar conta do filho, se for bem tratado ele não fica violento nem mesmo com jogos. Se derem ao abandono ai sim é possivel.
Muitos deles dizem que é o jogos? Não porque muitos fazem isso para sobreviver senão não têm de comer. E outros fazem por prazer ex: Brasil e Portugal.
Denunciar -1 #44 Warrio_r 2012-07-03 22:12
Talvez o mal seja que em tempos de crise as pessoas limitam se a comprar apenas aquilo que GOSTAM mesmo aquilo que apreciam verdadeiramente ( sexo e violencia acredito serem os mais procurados) e como tal não pretendem arriscar em jogos que não tenham esses conteudos por ou não serem do seu interesse,ou simplesmente por os acharem infantis de mais ao não terem o que chamam de realidade nua e crua. Como tal os criadores de jogos tentam criar o que mais vende. Vejam exemplos disso a serie Call of duty , max payne, gta, que todos contem violencia ou até sexo.
Não estou a dizer mal destes jogos,estou apenas a referir que talvez seja por isso que são estes os jogos que veem a sobreviver ao mercado de jogos durante mais tempo e aqueles que mais vendem. Mas se forem por exemplo ao mercado android ou a apple veem que lá os jogos não são violentos e tem cada vez mais opçoes e variedades de jogos sem juntar a violencia!
Fica a opinião!
Denunciar #43 MARIONET 2012-06-28 17:02
Muito bom , Rui Parreira!
Cumps
Denunciar +7 #42 Rui Parreira 2012-06-27 10:57
Penso que o problema não é da violência explícita em si, mas na procura de realismo exagerado. Tal como no cinema vemos um par de polícias a destruir meio mundo para atingir os seus objetivos, nos videojogos também vemos esse exagero. Se eu tenho uma caçadeira na mão, a minha tendência é apontar para os diversos pontos do corpo de um inimigo e ver o que acontece: estourar a sua cabeça? apontar para uma perna a ver se ele fica a coxear ou a rastejar? Sacar-lhe um braço na mão? Ora tendo isso em conta, como produtor, eu ia querer que nos meus jogos, essas reações fosse credíveis e até exageradas. Quero que uma cabeça se desfaça, porque seria isso que ia acontecer se na eventual realidade fosse disparada uma caçadeira.

O problema é que não existe qualquer pudor em expor essa violência, principalmente numa E3 onde embora só entre profissionais da indústria (evidentemente maiores de idade), a divulgação de fotos e vídeos nos sites e comunidades, faz com que todos tenham acesso a esse material.

Comentando em concreto Miyamoto, Warren Spector e David Cage, não entendo muito bem a sua frustração sobre a violência, quando todos, à sua sua maneira, contribuiram para o tema. Não, Miyamoto não tem no seu historia jogos de violência extrema, mas tem de certeza um peso na decisão da Nintendo abrir a sua mentalidade para receber jogos violentos nas suas consolas: Ninja Gaiden ou ZombieU na Wii U são um hino à violência, portanto, é estranho ver esta decisão de uma companhia que sempre defendeu os valores infantis e familiares dos jogos das suas consolas;

Warren Spector esteve envolvido em jogos como Deus EX e System Shock, este segundo dos mais violentos e cheios de terror no seu tempo. E mesmo o epic Mickey, os planos iniciais era dar um tom mais negro ao Mickey, mas teve de mudar de rumo por pisar o risco com o simbolo da Disney.

Por fim David Cage. Quem jogou Heavy Rain não ficou indiferente. Não era violento em termos explicitos, mas psicológicos foi dos jogos mais pesados e deprimentes que já joguei. Se a violência psicológica não é mais assustadora que a explicita, então não sei...

Como já aqui foi dito, há diversas ferramentas para proteger os miúdos destes conteúdos. Sejam as ferramentas parentais e a recomendação da PEGI que ninguém liga. A violência é vista como o podre da indústria, mas é aquilo que suporta a indústria. É como a pornografia, que é o podre da indústria do cinema, mas aquela que sustenta Hollywood desde há muitos anos...
Denunciar +4 #41 ig9981 2012-06-27 02:38
(continuação)

E se há adultos que se deixam influenciar pelos jogos violentos é porque esses indivíduos são dementes e deviam era estar fechados numa jaula. Nesses casos, se não fosse a violência dos jogos era a violência dos filmes que os afetava... ou então o facto do café que beberam estar frio.. ou a nata não estar bem tostada...

Deixemo-nos de hipocrisias... Há pais que falham e há gente que é deficiente das ideias... Quem for normal não desata a matar ninguém só porque o faz durante um jogo que gosta de jogar nas horas vagas...

A mim não me preocupa a violência nos jogos, preocupa-me sim o facto de hoje em dia praticamente não haver pais… apenas há progenitores.

Cumps
Denunciar +4 #40 ig9981 2012-06-27 02:37
Vou deixar aqui no tópico "oficial" o que já tinha dito em outros locais...

Acho que o que tem de deixar de acontecer é os pais de hoje em dia colocarem as suas crias no mundo e depois deixa-los andar por aí sem regras, sem educação e sem ouvirem um "não" de vez em quando...

Se o menino quer um GTA, o menino tem... se o menino quer um CoD... o menino tem... tudo isto sem a devida supervisão dos pais nem o devido respeito pela faixa etária... já agora porque não deixar um menino de 8 ou 9 anos ver pornografia? Porque não o pai ou a mãe oferecerem-lhe pelos anos o "Cicciolina - A mestre de Equitação"?

Será que isso é mais grave do que deixa-lo jogar horas e horas de GTA's?
Os jogos violentos são para adultos, portanto se os jogos violentos estão a transfigurar os jovens é porque os pais estão a falhar ao deixar os filhos terem acesso a esse tipo de conteúdo.

Resumindo e concluindo, no meu ponto de vista, a culpa não é dos jogos mas sim dos pais!

(continua)
Denunciar +1 #39 igorjn 2012-06-26 10:38
A violência não aumentou nos videojogos, apenas parece que só existem jogos violentos porque a maioria dos grandes jogos com sucesso a nível mundial como por exemplo GTA ou CoD são violentos, mas na verdade se formos ver bem existem tantos jogos violêntos com não violêntos á venda. A escolha é do jogador. E porque antigamentes matava-mos um boneco com um tiro com pouco realismo e agora com a evolução da tecnologia (por exemplo no Sniper Elite V2) mata-mos o adversário com gráficos realista e podemos ver a bala a entrar no corpo e o sangue, a violência é a mesma só que está mais realista!
Denunciar #38 Rasps 2012-06-26 02:35
(continuação) calhar andava por um empate se fossemos comparar jogos violentos com não violentos, mas como a violência desperta mais a atenção focam-se mais nisso. Eu gosto de todos os géneros de jogos sejam eles violentos ou não. Como o Bruno diz no artigo e muito bem sabe muito bem jogar com os amigos um jogo de futebol ou um party, mas também sabe bem jogar um jogo onde simplesmente pegamos numa arma e disparamos sobre os inimigos. O importante é saber separar a realidade da ficção.
Denunciar #37 Rasps 2012-06-26 02:21
Se formos comparar os dias de hoje com há 20 anos atrás bem que podemos dizer que os jogos estão mais violentos, mas a violência nos jogos já existe há muito tempo (doom, mortal kombat, carmageddon, etc.), claro que actualmente á muito mais violência do que antes e também a tecnologia nos jogos é muito mais avançada o que torna o jogo mais real o que chama mais a atenção das pessoas devido ao seu realismo. Além disso as produtoras sabem que o que chama mais a atenção são os jogos violentos e por isso apostam mais neste género do que em outro tipo de jogos que nos fornecem outras experiências para além da violência. Apesar de haver muitos jogos violentos na minha opinião existem também muito jogos não violentos (portal, buzz, jogos party, super mario, littlebigplanet , rayman, journey, lego, jogos de desporto, jogos de dança e música, okami, zelda, ico, shadow of the colossus, mickey, alguns jogos de carros, etc.), se fossemos a ver com mais atenção se (continua)
Denunciar +1 #36 swift 2012-06-26 00:00
Julgo que violência e realismo são 2 caracteristicas que andam de mãos dadas nos actuais jogos. Mas também é verdade que um título não necessita de transpirar violência para ser divertido, ou por vezes, situações de maior agressividade podem surgir um pouco "camufladas". Recordo-me por exemplo de Supreme Commander, um RTS em que lideramos um vasto exército de máquinas, com imensa destruição, mas nos campos de batalha não avistamos seres humanos a confrontarem-se, no entanto há missões em que edificios civis são vitimas de implacáveis ataques. Em Need for Speed-Hot Pursuit, os métodos a que Polícia recorre para deter os aceleras também poderiam ser considerados violentos, supostamente no meio daqueles aparatosos acidentes, um condutor não sairia ileso.
Serão estes 2 exemplos menos violentos do que um Bulletstorm, ou um CoD? Talvez... a violência marca presença, mas de uma maneira algo discreta, uma vez que não dislumbramos um pingo de sangue...

Cumps
Denunciar +2 #35 MARIONET 2012-06-25 20:36
Efectivamente, Bruno o debate de ideias está a concentrar apenas atenção ao espectro da violência nos videojogos e o propósito inicial, não se resume apenas a isso, mas sim e como bem referes:
(...)e concordo que a indústria terá de ser bem mais do que a banalização dos jogos violentos. Se existem dias em que suspiro por algo inovador, existem outros em que apenas preciso de um jogo simples para matar o tempo de forma entretida. Se existem momentos em que desejo uma narrativa forte que consiga mexer comigo a nível emocional (...) e ainda:
Defendo que a indústria tem de continuar a oferecer experiências para todo o tipo de jogadores e para todos os momentos. Quanto maior for a diversidade, maior a qualidade e maior será a evolução, com benefícios claros para todos: jogadores, editoras e criadores.(...), concordo plenamente com estas afirmações e o factor inovação / diversidade é cada vez mais importante bastando olhar para o sucesso que o mercado INDIE tem granjeado!

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