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OPINIÃO: Esta indústria não é para jogadores

No rescaldo da E3 2012, lancemos um olhar retrospetivo sobre o que a feira, à qual damos o título de “maior da indústria dos videojogos”, teve para oferecer este ano aos jogadores.

Sexta, 15 Junho 2012 12:35

Por: Duarte Pedreño

Em 2009 disse-se sem pudor que a E3 tinha voltado à boa forma, ao seu esplendor de outros tempos. Era uma vez mais o evento em que a antecipação se convertia em espanto e surpresa, com trailers de novos jogos e demonstrações de outros já revelados a validarem as esperanças e especulações dos jogadores – o público que na altura as grandes produtoras queriam alcançar.
Mas a indústria cresceu. A Nintendo escancarou as portas para um novo público – o casual – e a Microsoft e a Sony passaram a oferecer serviços de vídeo e música, tornando as consolas de videojogos em media centres. Com uma audiência mais vasta (e com interesses díspares), o tempo de antena é dividido entre os conteúdos para os jogadores e para o público casual, que por vezes vê a consola como um gadget de estilo de vida e não de hobby. Mas será que devia?


É ingénuo acharmos que os produtores, diretores gerais, designers e presidentes que tomam o palco das conferências na E3 não saibam que as apresentações são vistas no mundo inteiro e em direto, em que me incluo. Posto isto, torna-se difícil compreender que a Microsoft gaste tempo a enumerar e apresentar os novos serviços disponíveis no XBLA, especialmente quando estão limitados ao território norte-americano. A situação piora quando durante uma hora e meia não vemos um único exclusivo para a Xbox 360 do qual não tenhamos conhecimento prévio.
Mas se a Microsoft “perdeu” tempo com aplicações e serviços que nada dizem aos jogadores que estão em casa, a Sony estendeu-se demasiado com o Wonderbook (um excelente conceito, mas não para quem acompanha a E3) e a Nintendo concentrou-se em Nintendo Land (um party game), em vez de fazer demonstrações dos títulos third party para a Wii U, ou jogos mais hardcore para as suas consolas que tem no mercado.
Terminado o ciclo de conferências, foi a Ubisoft que nos fez valer o tempo investido, com o misterioso e surpreendente Watch Dogs, Far Cry 3 e com os revitalizados Assassin’s Creed III e Splinter Cell: Blacklist. Ouve outros pontos altos (The Last of Us, Tomb Raider, God of War), mas foram espaçados e intercalados por momentos lastimáveis.


Pessoalmente, não concordo que tenha sido a pior E3 dos últimos anos, mas não restam dúvidas de que as editoras têm de decidir se querem transformar a feira numa montra para o novo grande público da indústria, ou devolver-lhe a emoção que fazia desta a grande cerimónia anual de jogos. Qualquer outro formato híbrido é um sacrilégio para os jogadores e uma redundância para os investidores.
A verdade é que a indústria já não é só dos videojogos e agora o território é dividido com o entretenimento mainstream. É compreensível, por muito desagradável que seja para quem acompanhou a E3 desde os seus tempos dourados. No fim, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma, como manda a Lei de Lavoisier. Acontece que por vezes a evolução leva-nos numa direção que não nos agrada.

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8 Comentário(s)  Registe-se ou faça Login para comentar

Denunciar +3 #8 danygm 2012-06-17 12:59
Boas Duarte e restantes gamers! Sinceramente nao acho que a industria dos video jogos vá tomar o caminho "menos bom" ou que "menos nos agrada", pois sejamos sinceros quem da lucro a estas empresas\entida des? os gamers fiéis e que compram praticamente todos os jogos que gosta e adoram, todas as sequelas e CE e LE e SE dos seus jogos favoritos e merchandising? ou 1 user "casual" que usa a consola para ver uns streamings e pouco mais??? media centers?liguem a porra do PC a um lcd\led na salinha..et voila ficamos todos contentes e os xptos da empresas podem se dedicar a desenvolver à séria e nao a ficar estagnados na capacidade grafica actual das consolas e com medo de arriscaR! vamos em frente malta!
Denunciar +2 #7 Mikewolf 2012-06-16 15:31
"Acontece que por vezes a evolução leva-nos numa direção que não nos agrada."

Esta frase seria tão bem colada como resposta no anterior artigo de opinião de "Digital sim, discos não!". É exactamente assim a lei da vida e sempre será, umas vezes para mal e outras para bem

E eu sei como te sentes Duarte...é toda ela uma história muito semelhante com a do mundo da Música a partir de 1993. No final de contas, não me surpreende que a E3 se torne o que menos queremos: algo casual (palavra da moda no mundo actual dos videojogos).
Denunciar #6 Trickz 2012-06-16 14:26
MRO concordo com a tua opinião da microsoft mas a nintendo ainda ficou por cima...quanto ao resto nem comento,acho que o Rasps já disse tudo
Denunciar +1 #5 tudor 2012-06-16 01:36
Tudo o que se massifica è bom para a industria pois os lucros são collosais,mas a massificasão tamben tràs banalismo seja o que for que se faça tem que ter enfase e aquele jenesequa.
Denunciar -1 #4 MRO 2012-06-15 20:04
Sinceramente na minha opinião das conferências das 3 grandes, quem ganhou foi a Microsoft, mas não no global só nos EUA, digo isto por causa de querem transformar a Xbox numa consola que faz "tudo". Se formos a ver no aspeto global poderiamos dizer que a Sony é que ganhou, com o Wonderbook, mas mesmo assim estariamos a mentir pois não há interesse das editoras em o utilizarem nem mesmo os jogos se apresentam interessantes. Já nem falo da nintendo que tinha potencial para ganhar a E3 com um pé atrás das costas, mas decide continuar a apostar nu público casual quando a sua consola tem caraterísticas para jogadores hardcore. Esta foi a primeira E3 que acompanhei pelo menos online, mas mesmo assim só a Ubisoft é que surpreendeu. Talvez se deva ás editoras estarem a apostar mais em sequelas do que em originais, mas mesmo muitas dessas sequelas apresentam mais do mesmo o que safa o mundo dos jogos ainda vão ser uns joguinhos indie sem isso quase que era adeus á indústria dos jogos...
Denunciar +3 #3 magicorubik 2012-06-15 19:20
O "Watchdogs" e o "Assassin's Creed 3" estão na minha lista de jogos a comprar
Denunciar +2 #2 lobito180 2012-06-15 17:18
Como disse o Duarte, gastam demasiado tempo a apresentar novas funcionalidades e gadgets, mas jogos são quase que deixados em segundo plano.
Este ano foi o primeiro em que "acompanhei" a E3 e a impressão não foi má, mas também não foi boa.
Estava à espera de que fossem falar de muitos jogos e que a maioria fosse desconhecida.
Espero que a E3 2013 seja melhor...
Denunciar +5 #1 Rasps 2012-06-15 16:17
Excelente artigo Duarte, é bem verdade o que está escrito. Parece que dão maior importância aos gadgets, aplicações e outros serviços do que ao que realmente interessa, os jogos. Houve algumas e muito boas surpresas como é o caso de watch dogs, star wars 1313, beyond two souls, splinter cell blacklist e zombiU depois houve outros excelentes títulos como the last of us, god of war, tomb raider, far cry 3, dead space 3, halo 4, resident evil 6, dishonored e assassin's creed 3 que apesar de espectaculares não eram novidades. Na minha opinião deveria ter havido mais jogos surpresas e maior destaque dos jogos e não tanto de outros assuntos fora dos jogos. Claro que é importante amostrar outras capacidades, mas eu tenho a minha consola pelos jogos e não por outra coisa, afinal o importante são os JOGOS

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